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Chamo-me Cândida Castro tenho 40 anos e foi-me diagnosticado
há 4 meses a Fibromialgia embora só na opinião medica. Estou convencida,
contudo, que existe a possibilidade de sofrer dela há muitos anos. A dor, o
desespero, levaram-me a consultas médicas e depois de muitos exames foram-me
detectados problemas de coluna e tendinites no ombro direito.
Mas tudo isto não era o suficiente para as dores existentes no meu corpo. As
noites mal dormidas, o cansaço logo pela manhã durante meses e meses. Durante
anos no local de trabalho muitas vezes queixava-me perante os meus colegas e
quase sempre sentia que eles não acreditavam que se poderia ter tantas dores no
corpo todo num dia só. Tudo isso magoava-me muito, tornei-me incapaz de dizer o
que sentia. Só eu o sentia, só eu sabia o quanto sofria.
Luto diariamente contra dores insustentáveis, que tantas vezes me tiram a
vontade de viver, que me sufocam e me deixam a pensar: Porque eu?
Porque me tiraram as coisas mais bonitas que a vida tinha para me oferecer e que
já não consigo fazer parte delas?
Para as pessoas que possam ter acesso a este meu testemunho, gostariam que
soubessem um pouco do meu dia-a-dia:
Por vezes, as dores são generalizadas, outras vezes localizadas, como:
Costas, ombros, pescoço, rosto, cabeça, ancas, pernas, joelhos, mãos e peito são
dores que me provocam um mau estar e incapacidade geral, como que de uma forte
gripe com elevada temperatura se tratasse. Tantas vezes penso que estou a ser
picada, ferrada por uma tremenda fera, ruída por vermes internos, queimada, um
tractor suportado em cima do meu corpo, carne retirada dos ossos a sangue frio…
Tantas vezes pensava que estava a entrar na menopausa tantos eram os calores que
sentia, dormência e formigueiro que me invadiam o corpo e logo a seguir um frio
de arrepiar que nada me consegue aquecer… Tantas vezes chorei, tantas e tantas
vezes me apetecia gritar, pois não aguentava levantar, trabalhar…
Sinto muitas vezes vontade de desabafar, gritar, fugir, desaparecer, mas também
sei que nem sempre é possível e nessas alturas provoca em mim um sentimento de
revolta, de frustração e penso que não tenho ninguém a meu lado que olhe para
mim e que me pergunte se preciso de algo. É nessas alturas que penso que o
egoísmo se apodera de mim pois esqueço que os que me rodeiam muitas vezes também
sofrem e precisam de ajuda pois toda esta minha doença é desconhecida para eles
e também os afecta.
O sono não reparador que tenho diariamente é um sintoma que faz com que me canse
logo pela manhã levantando-me fatigada, esgotada e as tarefas do meu dia-a-dia
tornam-se penosas. Por vezes até um simples sorriso é tão difícil de efectuar…
Quando tento fazer uma simples tarefa que para qualquer um de vocês e normal, a
mim já me tem deixado aos 2 dias de cama. Alguém pode imaginar como uma mulher
com apenas 40 anos se sente quando não consegue executar as tarefas que mais
gosta e que sempre toda a sua vida o fez com prazer?
Hoje vivo com limitações, mas o facto de ter pessoas que me amam e me apoiam,
além de tentar adaptar a minha vida pessoal e social, já que a laboral ainda não
tenho condições para o fazer, sem nunca deixar a medicação (e é muita para
atenuar a dor), fisioterapia adequada e relaxamento aquático, o qual faço sempre
que posso. Tudo tenho que pagar do meu bolso pois é uma despesa que o estado
ainda não oferece de livre e espontânea vontade e aos quais os doentes
Fibromiálgicos deveriam ter direito, já que é o único pais da União Europeia que
não reconhece os Doentes Fibromiálgicos como crónicos e incapacitantes,
permitindo-nos o apoio aos tratamentos e a comparticipação na medicação, tão
necessários para quem se vê obrigado, pela Doença, a deixar toda a sua
actividade laboral.
Além do apoio de pessoas conhecidas e familiares que sempre me apoiaram, outros
me desacreditavam nas minhas dores, do estado deplorável a que cheguei, muitas
vezes fazendo chacota do meu estado como se de uma louca se tornasse. Hoje em
dia vão-se aproximando sem saber se estão informados da doença em causa ou se
voltaram a ver a pessoa amiga, humilde, responsável, sincera e honesta que
sempre fui e continuo a ser, pela minha adaptação à mesma e respectivo
conformismo, embora tendo que reservar para a minha privacidade as minhas
limitações e defesas diárias com a ajuda dos meus familiares amigos.
Deixo neste testemunho, partes importantes, da minha vida, com a esperança de
que ajude alguém que neste mundo sofra em silêncio.
Marido – O marido que qualquer uma Doente, nas mesmas condições, gostaria de
ter.
Filho – Zézinho – Com apenas 13 anos tem sido um exemplo de criança.
Pais – José e Madalena - Não tenho palavras para descrever todo o apoio que me
têm dado.
Irmão e Zézinha – Nem a distância nos separa.
A toda a minha família mas uma pessoa muito especial esteve sempre comigo nos
momentos que precisei (Cunhada Natália)
Eng.º Flávio Faria – Foi meu chefe durante 20 anos, tantas vezes entrava a
chorar e saia a rir pelo apoio que sempre me deu e continua a dar.
Dr.ª Arnaldina – Também ela colega de trabalho à 20 anos e sempre me disse olhe
em frente, há sempre uma nova luz.
Dr. André e Adelina – Trabalho com eles a apenas 2 anos e sempre, sempre me
apoiaram tentando dar força que tanto preciso.
Para todas as amigas e colegas de trabalho o meu obrigado do fundo do coração,
desculpem não mencionar os vossos nomes mas quando estiverem a ler algo vos
tocará no coração.
Aos meus médicos assistentes:
Dr.ª Sofia Pisco – Médica família
Dr. Melheiro – Ortopedista
Dr. Gouveia de Almeida – Reumatologista
Dr.ª Ana Bessa – Psicóloga APDF
À família e pessoas amigas que de uma maneira ou de outra me apoiam e me têm
ajudado e a todos os que fazem parte da APDF o meu Obrigada e a um em especial à
Dra. Fernanda Margarida.
Em tom de despedida deixo-vos este pequeno texto para vos ajudar:
Lembrem-se que ao
Longo da nossa vida
Temos que ultrapassar
Vários obstáculos e
Várias mudanças…
Só o amor e afecto
Que sentimos
E nos dão
Faz com que tudo
Isso mereça a pena.
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